Quinta-feira, 18.06.09

A "mundivisão" de José Sócrates

Sim, é esta. (E ele lá fez uso da palavrinha na entrevista de ontem.) É esta e, provavelmente, com esta cor.
Ontem, na entrevista, para dar um exemplo duma boa grande obra, dum excelente investimento público, um argumento para os seus grandes projectos, Sócrates, o secretário-geral dum Partido chamado Socialista e primeiro-ministro num ano posterior a 1973, mencionou, deslumbrado, a ponte 25 de Abril (nem sei como não disse ponte Salazar...). Podia ter-se referido à Expo 98 ou à ponte Vasco da Gama - mas não, optou mesmo pela ponte Salazar.
É claro que, para alguém ideologicamente oco como o nosso primeiro-ministro, é ideologicamente indiferente mencionar a ponte 25 de Abril (Salazar) ou a Vasco da Gama. (Na Alemanha, elogiaria as auto-estradas do III Reich.) Acontece que grandes obras públicas nunca são inócuas num regime político. Muito menos o são numa ditadura. Aquela ponte, precisamente chamada Salazar, foi o resultado de opções políticas e foi (e ainda é), ela mesma, um objecto político-ideológico. Como o é, actualmente, o pobre Magalhães. (Veja-se o uso obsessivo que a propaganda "socrática" faz do portátil - e, precisamente na entrevista, Sócrates lá voltou a brandir ideologicamente o objecto).
Sócrates é um deserto ideológico, mas, quando diz aquele género de coisas, sabe muito bem a escolha política que faz.
Carlos Botelho às 21:28 | comentar | ver comentários (7) | partilhar
Quarta-feira, 17.06.09

Um desabafo

Inflecte a voz, dando autênticas guinadas em curvas e contra-curvas de "sinceridade". Engelha aquelas caretas condoídas. Diz 'corta-se-me o coração' com a mesma convicção com que diria 'eu é um bitoque e um sumo'. Alarga-se naquelas inacreditáveis parolices da importância do Magalhães na formação (!) das crianças. Como é típico, chama 'ignorantes' aos cépticos. Cita enviesadamente Manuela Ferreira Leite para a deixar ficar mal. Recita como um cábula aquelas tretas da 'esquerda moderna', que não é a 'esquerda arcaica' e do 'país moderno que evoluiu' e que 'não pode parar'. Representando, mal, um profeta da modernidade perplexo com tanta incompreensão. Quase bate com a mão no peito confessando-nos os seus 'valores profundos'. Na verdade, não disse nada.
Como pode alguém dar um voto (um 'votozinho', diria a outra) a este homem? Como?...
Carlos Botelho às 21:57 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

A frase da "entrevista"

"Aaah... ora vamos lá a ver... Vamos ser honestos... aaah..."
Carlos Botelho às 21:31 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Keep going, babe...

A Ana Lourenço está a acordar...
Os custos dos "grandes investimentos"....
Se isto durar mais um bom pedaço, o homem derrete a máscara (ainda mal seca) da humildade...
Ele não gosta mesmo que lhe façam perguntas inconvenientes - já começa a mostrar-se irritado.
Mais um empurrãozinho e ainda desata a elogiar (com aquela sua vacuidade oportunista) as grandes obras do Estado Novo! - não citou o New Deal, mas sim a Ponte 25 de Abril como exemplo do investimento público...
Carlos Botelho às 21:25 | comentar | partilhar

A "entrevista" a Sócrates

Cutchi-cutchi-cutchi.
Bilu-bilu...
Carlos Botelho às 21:16 | comentar | partilhar

Em directo

Isto a que estou a assistir na Sic não é bem uma entrevista. Parece mais um frete que a estação de tv está fazendo ao primeiro-ministro, para que ele se espraie à vontade nas suas banalidades (versão humilde), sem ser contrariado nem contraditado.
Uma Ana Lourenço amedrontadinha, quase doce, com a vozinha quase num fio. Um passarinho diante dum galaró matraqueante.
Carlos Botelho às 21:10 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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