Quinta-feira, 15.09.11

Não compreendo a obsessão com as eurobonds

 

Yves Mersch, membro luxemburguês do  conselho de governadores do BCE, sugereque as eurobonds sejam emitidas conjuntamente pelos países com rating AAA. Como condição de estabilidade impõe ainda a condição de "assim que um desses países perdesse o estatuto de ‘AAA’, teria de pagar toda a dívida".

 

Não percebo bem o que Mersch entende por "toda a dívida". Presumo que se refira apenas à quota parte que cada país tem no total da emissão obrigacionista. Também não entendo porque seria esta uma garantia de estabilidade. Os montantes assumidos e (especialmente) o risco associado à emissão de eurobonds(não vamos esquecer que se destinam a financiar o "Club Med" pouco famoso no cumprimento das metas orçamentais) teriam certamente um impacto negativo no rating dos países emissores. Não é difícil imaginar que a clausula de "estabilidade" seria rapidamente infrigida e abandonada. Convém ainda ter presente que a solução proposta por Mersch coloca a responsabilidade financeira inteiramente nos países do Norte. Mesmo que fosse aceite pelos eleitores de todos os países (o que não é um dado adquirido) certamente implicaria a imposição de um rígido controlo orçamental e mesmo político sobre o "Clube Med" muito superior ao agora exigido pela troika. Querem que vos explique as consequências políticas disto?

Miguel Noronha às 14:29 | partilhar
Segunda-feira, 12.09.11

Contradições socialistas

 

Rádio Renascença: António José Seguro considera que quem colocou a Madeira na bancarrota não pode agora pedir que outros paguem a dívida. “Nós ouvimos o líder regional do PSD dizer que precisava rapidamente de dinheiro. O PSD-Madeira pôs a Madeira na bancarrota, tem um buraco colossal, gaba-se disso e pede que sejam os outros a pagar a factura da sua irresponsabilidade”, acusa o líder do PS

 

Da minha parte nada a obstar. Apenas constato que a posição do líder socialista sobre a dívida madeirense contrasta com o seu apoio às eurobonds e abre novas e interessantes possibilidades quanto à responsabilização do anterior governo nacional.

Miguel Noronha às 11:21 | partilhar
Segunda-feira, 05.09.11

O subprime europeu

Se tivéssemos uma obrigação europeia garantida a 27 por cento pela Alemanha, a 20 por cento por França e a dois por cento pela Grécia, a notação de risco [rating] seria, nesse caso de CC, ou seja, a notação da Grécia”, afirmou Moritz Krämer, chefe da divisão europeia da S&P, citado pelo jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung

 

Como explicou inúmeras vezes o Jorge Costa, o risco não desaparece. Transmite-se de forma viral. Há quem não tenha aprendido nada com a crise subprime. E está mais que visto que a S&P vai ser duramente criticada por não alinhar nesta irresponsabilidade.

Miguel Noronha às 16:49 | partilhar
Terça-feira, 19.07.11

Duas notas

1. Parece que se estar a formar um consenso acerca da oportunidade da emissão das eurobonds. Espanta-me ver tanta e tão boa gente a concordar com esta irresponsabilidade (já nem falo de socialistas e comunistas que apenas pretendem uma forma de continuar a saga despesista). Já não se recordam das origens desta crise? Eu dou uma ajuda. Lembram-se do subprime? Dos títulos de alto risco que eram vendidos no meio de outros com risco reduzido e recebiam ratings  AAA e ajudaram a disseminar a crise? Para os mais esquecidos este artigo do WSJ compara-os às eurobonds e avisa-se que isto pode criar uma crise ainda maior que a actual. Depois não se queixem.

 

2.  A sério. Não percebo os apelos para que se evite a todo o custo o default da Grécia. Na prática,  a Grécia já não tem dinheiro para pagar as suas obrigações e está a viver à custa de mais empréstimos dos credores.  Na prática, estamos apenas a substituir dívida privada (maioritariamente de bancos) por dívida pública (dos restantes países-membros). Estamos a agravar a factura da Grécia e potenciar crises de finanças públicas noutros países da UE. Como diz o director-geral da PIMCO, se queremos evitar o efeito dominó devemos deixar falir Grécia, Irlanda e Portugal.

Miguel Noronha às 14:39 | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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