Os princípios políticos do acordo entre o PSD e o CDS para uma Nova Maioria.
Por enquanto apenas foi disponibilizado o acordo político que não contem medidas específicas pelo que ainda não irei fazer grandes comentários. Queria, no entanto dizer que muitos dos objectivos enunciados no acordo parecem-me cair fora do alcance da acção governativa. (nada de novo). Verifico também que, embora reconheçam o papel dos privados, PSD e CDS pretendem manter o dirigismo económico e "garantir a sustentabilidade" de instituições que já provaram ser economicamente insustentáveis. Há quem garanta que os novos governantes são ultraliberais (uma espécie perigosíssima que merecia ser exterminada de forma particularmente dolorosa). Quem me dera. Infelizmente a realidade continua a demonstrar o inverso. Resta-me esperar por um intervencionismo (bem) mais mitigado que o do governo socialista.
"A esquerda chegou a um consenso: o actual PSD é o mais "neo-liberal" (sic) de sempre. Não me lembro se a esquerda achava o PSD de Manuela Ferreira Leite só um pedacinho "neo-liberal", o PSD de Santana Lopes pouco "neo-liberal", o PSD de Durão Barroso quase nada "neo-liberal", o PSD de Cavaco Silva nada "neo-liberal" e o PSD de Sá Carneiro uma força socialista à maneira e digna do voto de todos os trabalhadores. Provavelmente, a esquerda também não se lembra do que então achava. Provavelmente, "neoliberal" é apenas um sinónimo moderno de "fascista", que por sua vez definia todos os biltres que não estavam entusiasmados com a possibilidade de transformar Portugal numa Cuba europeia ou numa Albânia atlântica."
O momento mais alucinante do debate ocorreu quando Sócrates acusou Passos Coelho de "querer liberalizar o trabalho temporário". Não adianta. O nosso PM vive numa realidade alternativa.Quem ainda não se alheou por completo da realidade já deve ter ouvido falar da "explosão" das empresas de trabalho temporário em Portugal nos últimos anos.
Faits-divers e mais faits-divers. Soundbytes e mais soundbytes. É fácil resumir o rumo do PSD nos últimos quatro meses. Um PSD sem rumo, sem capacidade para marcar a agenda e sem crédito político. Só os crentes acreditarão que este PSD poderá vir a ser uma alternativa ao PS em 2009. O problema nem está na falta de propostas. Luís Filipe Menezes poderia ter -- mas não tem... -- as melhores propostas do mundo para apresentar aos portugueses que julgo que não faria grande diferença. Pura e simplesmente, falta-lhe o principal ingrediente na fórmula de sucesso de um político: a confiança do eleitorado. António Cunha Vaz poderia colocar «dois ou três activos» em cada lar português que isso não faria qualquer diferença.
Um eventual Governo de Luís Filipe Menezes teria um organograma que seria fantástico. Depois da brilhante proposta de um possível ministro do Turismo e da Presidência, como nota Francisco José Viegas, agora seguiu-se a sugestão de um ministro da Administração Interna e da Justiça.
É dramático quando o líder do maior partido da oposição sente a necessidade de publicamente se justificar sobre as suas mudanças de opinião. Muito elucidativo, de facto. Faltava, porém, a cereja no topo do bolo: Luís Filipe Menezes esclarece que não se importa de arrostar com as críticas mais vis, desde que continue convicto que está no caminho certo.
Em Outubro de 2007, Luís Filipe Menezes e Pedro Santana Lopes chegaram a um entendimento de colaboração institucional -- whatever that means... -- quanto à estratégia a seguir pelo PSD. Um acordo sobre questões menores, bem entendido. Sobre as questões maiores -- como seja comunicação! -- não há espaço para entendimentos de colaboração institucional.

