Quarta-feira, 16.05.12

Até as piores crises têm alguns resultados positivos

Como sucedeu noutras áreas, onde tantos anos de engorda e despesismo do estado tiveram como consequência a extensão dos tentáculos do estado até sectores pouco recomendáveis (para o estado) como a comunicação social, os seguros e um largo etc. em prejuízo da execução eficiente e eficaz das funções fulcrais de um estado (o estado calamitoso dos tribunais é apenas um dos sintomas desta visão desviante que foi sendo sedimentada ao longo dos anos do que deve ser um estado), a política cultural também preferiu demitir-se das suas funções essenciais - a preservação do património - para se concentrar na construção de clientelas de artistas que, do alto da sua casta de artistas (mesmo quando apenas se lhes pode aplicar o termo em sentido muito lato) e do seu profundo desprezo pelos mortais comuns (vulgo: contribuintes), decidiram ter um direito inalienável ao dinheiro dos contribuintes e consideram não ser possível avaliação dos resultados do seu trabalho se não pelos seus pares igualmente dependentes do dinheiro dos contribuintes. Estas clientelas ficam sempre bem nas campanhas eleitorais; quem considera não ter de sustentar clientelas cujo trabalho não aprecia (se apreciasse, escolhia gastar parte do seu dinheiro nos resultados da criatividade dos ditos artistas) é apelidado de troglodita ou amante de telenovelas mexicanas.

 

Um dos poucos lados bons desta crise é mesmo o termos alguém que, finalmente, diz a esta clientela que não tem nenhum direito inalienável ao meu dinheiro. Isto, claro, nem entrando na questão mais importante: na actual conjuntura, quando tanta gente luta diariamente por uma sobrevivência digna (quando não apenas sobrevivência), há alguma legitimidade em desviar recursos estatais para clientelas partidárias que produzem bens que não são propriamente de primeira necessidade? (Sim, fica muito bem dizer que sim, que bens culturais são de primeira necessidade mas, alas, não são; eu própria, se sobrevivo muito bem sem cinema português, considero ler tão essencial como respirar,  no entanto, se tivesse de escolher entre dar de lanchar aos meus filhos ou comprar livros, estes lá seriam sacrificados; em suma: dizer que os bens culturais são essenciais mais não é do que um exercício de um snob).

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Terça-feira, 15.05.12

A agricultura da direita e a agricultura da esquerda

A agricultura é um sector estratégico em qualquer país, não por motivos de tradição mas por questões de segurança e defesa. Qualquer país tem obrigação de manter níveis de auto-suficiência alimentar adequados e não são os longos períodos de paz que devem fazer esquecer este desígnio. Tem, assim, lógica apoiar a agricultura de formas diferentes do apoio, por exemplo, à produção de torneiras (cujos apoios estatais se devem resumir a não incomodar a actividade das empresas que à produção de torneiras se dedicam).

 

Para este apoio à agricultura, um governo de direita tem necessariamente políticas diferentes de um governo de esquerda. Um governo de direita dá isenções de IRC aos produtores agrícolas, cria taxas de IVA especialmente baixas para produtos fulcrais da alimentação, isenta parcialmente as empresas agrícolas nas suas contribuições para a segurança social dos seus trabalhadores, providencia um contexto económico concorrencial nos produtos e serviços adquiridos pelos produtores agrícolas (de forma a que os adquiram a preços mais baixos) e mais umas tantas medidas que vão no sentido de desonerar e de reduzir custos especificamente às empresas agrícolas. Um governo de esquerda cria impostos a outros sectores económicos (aumentando assim o preço dos bens alimentares no consumidor) para cobrir custos do sector agrícola, cria legislação de forma a intrometer-se nas relações comerciais e contratuais entre os vários agentes económicos, cobra impostos aos contribuintes para usar em programas de apoio ao sector agrícola e mais umas tantas medidas que vão no sentido de reforçar distorções, criar novas distorções e, inevitavelmente, aumentar o preço dos bens alimentares. E depois, claro, tanto nos governo de direita como nos de esquerda há os excessos de intromissão em áreas alheias.

Maria João Marques às 14:15 | comentar | ver comentários (16) | partilhar
Sexta-feira, 04.05.12

Felizmente há sanidade e vozes não-socialistas no governo

«O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, disse hoje que as promoções do Dia do Trabalhador do Pingo Doce estão a ser investigadas, mas sublinhou "que este tipo de iniciativas é comum em vários países no mundo".»

 

E, vejam bem, a ASAE detectou dumping em três - três! - produtos. Se o rídiculo fizesse mossa nestes senhores, teriam saído do radar da comunicação social aí um mês depois das primeiras declarações aos media do actual director da ASAE.

Maria João Marques às 13:11 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Quinta-feira, 03.05.12

Agora sem ironia

Mas não deixa de ser irónico que o partido que mais oposição fez - e muito bem - ao PS devido aos abusos da ASAE seja agora o partido que, através de Assunção Cristas, aumente os impostos com argumento de defesa da segurança alimentar e que pretenda conter promoções comerciais que, está à vista de toda a gente, só trazem benefícios.

 

Eu não sei se o CDS está descontente por ter tido uma boa porção dos votos dos eleitores urbanos, e mais jovens que entradotes na idade. Mas se não está e pretende manter esse eleitorado, é conveniente informar Assunção Cristas que é ministra da Agricultura e não ministra dos agricultores e parar-lhe rapidamente os disparates. Porque as boas prestações de Paulo Portas e Pedro Mota Soares podem não ser suficientes para conter o descontentamento com a catástrofe socializante que a acção de Assunção Cristas tem sido.

Maria João Marques às 14:05 | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Isto é o que se chama 'estar totalmente alheado da realidade'

Reproduzo aqui um comentário feito ao meu post sobre a ousadia, o verdadeiro despautério que foi a campanha do Pingo Doce no 1º de Maio:

 

«O meu marido trabalha no pingo doce , e nunca foi pressionado para trabalhar , nem no 1º de Maio , nem noutro dia qualquer, aliás sempre que pode trabalha nos feriados porque infelizmente o ordenado ao fim do mês a tempo e horas , como sempre é pago , nos faz falta . Acho muito bem o que foi feito , e sim o dia vai ser pago a triplicar e vão gozar 2 dias extra de folga a escolha do funcionário. Também ninguém sabe que o Grupo tem um programa de ajuda a todos os funcionários que se encontrem em dificuldades , seja ela qual for e da qual infelizmente já beneficiei . Mas cada qual tem a sua opinião e fala como quer , é o pais que temos e o governo que em vez de nos ajudar cada vez mais nos empurra para o fundo.»

Ana Santos.

 

Mas esta senhora, claro, está enganada. Está convencida que a campanha a beneficiou e à sua família, mas não, afinal o marido foi explorado, usado, manipulado, desrespeitado. A minha empregada doméstica (só um exemplo) também foi ao Pingo Doce há dois dias e esteve quatro horas dentro de uma loja Pingo Doce. Parecia felicíssima por ter poupado imenso dinheiro e garantia-me que não, não havia nada passado de validade. Coitada, também não percebeu como foi explorada e manipulada e etc.. E claro que as melhores pessoas para decidirem se ganharam ou não com a promoção não são a Ana Santos nem a minha empregada nem os outros que trabalharam e compraram no Pingo Doce a 1 de Maio; obviamente quem está habilitado a decidir se a acção do Pingo Doce as beneficiou são as pessoas que consideraram aquilo tudo pouco estético e muito de povão, onde é que já se viu estar numa fila horas a fio para aproveitar um desconto ou guerrear pela última margarina da prateleira? (É conveniente, no entanto, informar estas pessoas que têm défice de cosmopolitismo, ou saberiam que os saldos nas lojas das marcas topo de gama por esse mundo fora também são assaz caóticos). Na verdade, as pessoas nem deviam ter rédea solta para comprarem o que bem entendem: mal vêem uma promoção só compram coisas que não precisam e ainda gastam mais do que podem! Urge colocar Paula Teixeira da Cruz ou Assunção Cristas - que tanto desvelo têm dedicado ao sector do comércio - chefiando uma comissão para determinar o cabaz de compras que os consumidores devem comprar, que entregues a si próprios estes manifestamente não têm capacidade para decidir os iogurtes ou os detergentes melhores para as suas casas.

 

Agradeçamos reverentemente estarmos tão bem entregues a políticos e gente pensante que sabe o que é melhor para nós, bem melhor do que nós próprios sabemos. O país, à conta de tanto iluminado, está na falência; mas se as pessoas tivessem tido mais liberdade, estaríamos bem pior, oh se estaríamos.

Maria João Marques às 13:54 | comentar | ver comentários (16) | partilhar
Quarta-feira, 02.05.12

Tão maçador que é o mercado

Sendo os sindicatos a força mais reaccionária deste país e dos grandes contribuintes para a pobreza crescente dos tais trabalhadores (os que representam e os outros), qualquer actividade que os enfrente está, para mim, no caminho certo, pelo que a decisão do Pingo Doce é, desde logo, de louvar. E é ainda mais de louvar por ter dado oportunidade a tantas famílias em dificuldades financeiras de adquirirem bens essenciais mais baratos. Foi, sem dúvida, um bom tributo aos trabalhadores. Fê-lo em perseguição de lucros futuros? Ainda bem, assim todos ganham.

 

E não posso deixar de lembrar que 'o valor' do que quer que seja é estabelecido nas economias prósperas pelo mercado; dito de outro modo, algo só vale, em termos materiais, o que alguém está em cada momento disposto a pagar por ele. Neste sentido, e tendo em conta os consumidores que acorreram às lojas do Pingo Doce, esta cadeia de supermercados praticou ontem um preço muito aproximado ao valor dos produtos que vendeu.

Maria João Marques às 12:18 | comentar | ver comentários (28) | partilhar
Sexta-feira, 27.04.12

'A nova intolerância'. Eu diria mesmo mais: o novo obscurantismo

«To judge from what we are reading and hearing almost every day at the moment, it would seem Britain is in the throes of a war of religion. A war, that is, between religion and atheism. Professor Richard Dawkins, the Savonarola of atheism, regularly hurls his thunderbolts at believers. Christianity, says the church, is under siege. Christians are being prevented from wearing the crucifix at work, being barred from adoption panels.[...]At the heart of this great argument lies the assumption on the part of the anti-religion camp that this is a battle between reason and obscurantism, between rationality on the one hand and knuckle-dragging ignorance and prejudice on the other. And of course, that anti-religion camp is on the side of reason, and thus of intelligence, science, progress and freedom; whereas religious believers would undo the Enlightenment and take us all back to the dark ages of credulity, superstition and the shackling of the mind.[...]

So it follows that people who are intelligent can have no religious faith; those who are religious are either imbeciles or insane. Not only that, religious people are narrow, dogmatic, intolerant and unpleasant. Those with no religious faith are broad-minded, open, liberal and thoroughly splendid people whom you'd be delighted to meet at a dinner party. Little casts a chill over a fashionable table more than the disclosure that a guest believes in God. 

 

I have a rather different take on this great division of our age. My view is that while we may be in a post-biblical — and post-moral — age, we have not disposed of belief. Far from it. We have just changed what we believe in. Our society may have junked the Judaeo-Christian foundations of the West for secularism. But this has given rise to a set of other religions. Secular religions. Anti-religion religions.  

These are also based on a set of dogmas. They proselytise. They involve faith. But unlike the Judaeo-Christian thinking they usurp, these secular anti-religions suspend truth and reason. [...]God has been pronounced dead, and in his place have come man-made ideologies — in which people worship not a divine presence but an idea. [...]

 

Rather than being rational, I suggest these are irrational; not tolerant at all, but deeply illiberal; not open to other ideas, but as dogmatic as any medieval pope. Indeed, these atheistic ideologies are reminiscent not just of religion but of medieval persecutions, witch-hunts and inquisitions.

Let me illustrate all this with an anecdote. After a debate in which he took part some time ago, I pressed Richard Dawkins on his belief that the origin of all matter was most likely to have been an entirely spontaneous event — which meant he therefore surely believed that something could be created out of nothing. Since this ran counter to the scientific principle of verifiable evidence which he tells us should govern all our thinking, this itself seemed to be precisely the kind of irrationality which he scorns. 

In reply, he acknowledged that I had a point but said that the alternative explanation — God — was more incredible. But then he remarked that he was not necessarily averse to the idea that life on Earth had been created by a governing intelligence — provided, however, that such an intelligence had arrived on Earth from another planet. Leaving aside the question of how that extra-terrestrial intelligence had itself been created in the first place, I put it to him that he appeared to be saying that "little green men" provided a more plausible explanation for the origin of life on Earth than God. Strangely, he didn't react to this well at all.

However, Dawkins is not the first scientist to have suggested this. It is a theory which was put forward by no less than Professor Francis Crick, one of the discoverers of DNA.

 

A committed atheist, Francis Crick found it impossible to believe that DNA could have been the product of evolution. In 1973, Crick and the chemist Leslie Orgel published a paper in the journal Icarus suggesting that life may have arrived on Earth through "directed panspermia". According to this theory, micro-organisms were supposed to have travelled in the head of an unmanned spaceship sent to Earth by a higher civilisation which had developed elsewhere some billions of years ago. The spaceship was unmanned so that its range would be as great as possible. Life started here when these organisms were dropped into the primitive ocean and began to multiply. Subsequently, Crick abandoned this theory and returned to the idea of the spontaneous origin of life from purely natural mechanisms.

How can someone so committed to reason be so irrational as to entertain such a fantasy?»

 

E muito mais, da sempre recomendável Melanie Philips.

Maria João Marques às 17:31 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Sexta-feira, 20.04.12

Voltando ao que importa

A propósito das notícias que relacionam os candidatos do PS e PSD ao Tribunal Constitucional com a maçonaria - e não deixa de ser curioso como o PSD entende não averiguar as ligações maçónicas dos candidatos que apresenta, sendo surpreendido quando existem - é conveniente reintroduzir a discussão da necessidade de declaração de interesses de governantes, eleitos, magistrados do ministério público e juízes que inclua a pertença ou não a associações do tipo maçónico. Não podemos ser governados, investigados ou julgados por pessoas cujos interesses não podemos escrutinar.

Maria João Marques às 14:22 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Terça-feira, 17.04.12

A Igreja só se pode queixar de si própria

O documento que irá ser apresentado amanhã em Fátima, à margem da assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), revela que nos últimos 12 anos os católicos diminuíram 7,4%, passando de 86,9% da população para 79,5%

 

Esta notícia não surpreende, afinal a Igreja (ou, pelo menos, algumas dioceses com Lisboa à cabeça) têm feito um excelente trabalho em perseguir os casos de sucesso na captação de gente nova para as missas e para a própria Igreja. Querem exemplos? Eu dou.

 

Há poucos meses recebi um e-mail convidando para uma missa a celebrar no LX Factory, a Alcântara, para festejar o regresso a Lisboa do Nuno Tovar de Lemos, padre jesuíta e meu amigo. O e-mail começou a circular e houve muita gente a responder afirmativamente, incluindo muita gente de fora dos habituais dos jesuítas. Assim, numa noite a meio de uma semana de Inverno, transidos de frio, mais de seiscentas pessoas estavam no LX Factory para uma missa. Mas não houve missa, tendo o Nuno justificado que havia muita gente desligada da Igreja, pelo que se decidiu por fazer uma 'homenagem a Deus', com testemunhos vários e mais umas coisas. Correu bem, claro, apesar do evidente improviso. A história que corre, sem confirmação dos envolvidos, é que não é uma bonita homenagem a Deus: aparentemente o sucesso do convite para a missa no LX Factory incomodou um certo movimento conservador, que fez chegar as suas objecções ao inevitável Cardeal Patriarca de Lisboa que, por sua vez terá ligado ao provincial dos jesuítas proibindo uma missa num local profano como o LX Factory. É isto que se pretende, portanto: uma Igreja que se reúne em locais assépticos, que não vai de encontro ao mundo, que não se dá a conhecer, uma comunidade de puros que olha com desconfiança tudo o que é novidade pelo facto de ser novidade (não que uma missa num local diferente de uma igreja seja novidade; eu própria já participei numa missa presidida por D. José Policarpo na alameda da cidade universitária). Uma Igreja de fariseus, portanto. Uma Igreja que se envergonha - só pode! - de Jesus, que tudo fez para ir de encontro àqueles que mais dEle estavam afastados. E uma Igreja que não percebe que Deus está em toda a parte da Sua Criação, incluindo num centro comercial de arquitectura industrial. Curiosamente, várias organizações profanas trabalharam para possibilitar aquela concorrida missa, enquanto a Igreja a inviabilizou.

 

Outro exemplo é a missa dominical do CUPAV, aos domingos na Igreja do Colégio de São João de Brito, mais uma vez celebrada pelos jesuítas ligados ao CUPAV. A igreja está sempre à cunha (e é grande) e, sendo uma missa destinada a universitários, tem uma percentagem de gente nova que não se deve encontrar noutra missa em Lisboa. As missas são alegres, animadas, com grande participação dos leigos. Os padres dizem coisas inteligentes, têm sentido de humor, evidentemente não vivem numa redoma. Ora o sucesso desta missa também incomodou algumas almas, que lá se deslocaram para vigiar o que se passava. Como não havia heresias a que se pudessem agarrar, causou celeuma a disposição da Igreja, que tem o altar no meio da Igreja e da assembleia, levando a que durante a missa um dos lados da assembleia apresente as suas costas ao Sacrário. (Durante uma missa, refira-se, o centro é o altar, não o Sacrário). Não faz mal que em inúmeras igrejas antigas o Sacrário seja lateral e as costas de algumas pessoas que participam na missa também se dirijam ao Sacrário, agora que isso suceda numa missa de grande sucesso é que não pode ser.

 

A diocese de Lisboa (no Porto, dizem-me, o bom senso é uma realidade conhecida) e, porventura, outras no país têm boa solução se querem ter resultados mais agradáveis a Deus: é darem menos importância aos delatores (para usar uma palavra ainda assim simpática), é não promover as invejas nem os egozinhos pequenos e mesquinhos e aproveitar - e até copiar - quem não tem falta de gente nas missas e noutras actividades.

 

Nota, não vá o que escrevi afligir mais umas almas: o que escrevo implica-me apenas a mim e não tenho dúvidas que, se lhes tivesse perguntado, os jesuítas que me são mais chegados me teriam dito para não escrever nada. Mas eles sabem que eu gosto muito de fazer uso de uma característica maravilhosa que Deus felizmente me deu: o meu espírito crítico.

Maria João Marques às 18:29 | comentar | ver comentários (136) | partilhar
Segunda-feira, 16.04.12

PS corteja o voto de todos os incompetentes do país e de todos aqueles que se endividaram mais do que conseguiam pagar e faliram

PS arranca jornadas parlamentares com homenagem a Sócrates e Paulo Campos.

 

Eu faço uma sugestão para o cenário desta homenagem - sabe-se como o PS socrático (que, vê-se, é ainda o actual) era exigente com estas coisas da imagem propagandística. Por que não usar frases do relatório do tribunal de contas, bem escolhidas, sobre a Parque Escolar? Afinal a Parque Escolar foi uma festa, não foi?

 

PS - Curriculum de Paulo Campos.

Maria João Marques às 12:13 | comentar | partilhar
Segunda-feira, 02.04.12

Ideia para se cortar onde se deve

Se calhar nesta revisão seria muito bom - e reporia alguma justiça na alocação de dinheiros dos contribuintes - rever a espécie de subsídio de maternidade, pago a 100% durante um mês, que recebem as mulheres que fazem um aborto.

Maria João Marques às 12:12 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Terça-feira, 20.03.12

Os estudos sobre parentalidade gay e lésbica e o que dizem os fanáticos da causa gay e lésbica

Como os defensores fanáticos da adopção de crianças por casais homossexuais teimam em citar estudos como dando como provado a bondade de tal solução mas acabam nunca mostrando tais estudos, venho aqui reproduzir um post meu de Janeiro de 2010 'Estudos sobre adopção por homossexuais: uma questão de fé progressista' - onde se dá uma boa ideia dos estudos que existem sobre o assunto, compilação dessa década arcaica e longínqua, praticamente da Idade Média, dos anos 2000. Quem se der ao trabalho de ler os estudos sobre este assunto, verifica que quase todos incidem sobre crianças ou adolescentes que têm tanto a referência feminina da mãe como a referência masculina do pai na sua vida, sendo que vivem com apenas um deles (e, por vezes, com a/o sua/seu companheiro) - de resto, muitos dos estudos são feitos precisamente para sustentar em tribunal que um pai ou uma mãe homossexual não deve pela sua orientação sexual ser privado/a dos seus direitos parentais aquando do divórcio (algo que me parece inteiramente justo) -, que pouquíssimo se sabe sobre crianças e adolescentes que vivem com  o pai gay e o seu companheiro, que não há estudos feitos ao longo do tempo sobre casais homossexuais com filhos, e por aí adiante. Do que se sabe, nada permite concluir que seja seguro (e não me estou a referir a pedofilia) entregar uma criança para adopção a um casal de dois homens - já um casal de duas mulheres dá maior segurança, desde que mostrem ter um projecto de família sustentado e de futuro, isto devido ao risco acrescido de divórcio dos casais homossexuais e sobretudo de lésbicas mostrado pelo estudo medieval da década passada e com amostra nesses países proto-islâmicos que são os escandinavos. Em suma, do que se sabe nada mostra que crescer numa família só com referências femininas ou só com referências masculinas (o que sucederia no caso da adopção por casais homossexuais) seja equivalente a crescer numa família com pai e mãe. Até porque, como o lóbi gay tanto nos diz (e bem), a diversidade é boa; e o melhor local para se aprender a diversidade é precisamente a família, que ganha em ser tão diversa quanto possível.

 

Isto dito, para uma criança o supremo pesadelo é crescer institucionalizada e eu, apesar de considerar esta solução longe da ideal, não ficaria chocada se uma criança que não tem possibilidade de ser adoptada por um casal de pai e mãe o pudesse ser por um casal homossexual (com preferência para um casal de lésbicas). O problema é que, de facto, não se pode debater ou discutir com cruzados intolerantes que estão interessados sobretudo na promoção política da causa gay e que recusam que alguém seja julgado na sua capacidade parental por algo tão intrínseco a uma pessoa como a orientação sexual mas que julgam os outros como pais por meras opiniões difundidas numa rádio ou num blog só porque discordam dessas opiniões. E enquanto a questão da adopção por casais homossexuais estiver entregue a esta gente, manda a prudência que não se lhes entregue o futuro das crianças.

 

Aqui vai:

 

Talvez na esperança de que o adágio 'uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade' se concretize, nestas discussões sobre casamento e adopção gay (que estão ligados, conforme se verá nos próximos capítulos) é comum ouvir-se falar nessa entidade mítica que são 'os estudos' e que dizem ('os estudos') que é indiferente a uma criança ou adolescente viver com uma mãe e um pai ou com dois pais ou com duas mães. Assim, já há algum tempo, pedi pistas a um psicólogo e dediquei-me à procura de estudos sobre a parentalidade de pais e mães homossexuais que revelassem esta equivalência. Como desconfiava de início - e como só pode desconfiar qualquer mãe ou pai de uma criança que conviva com pais dos dois sexos e que sabe como se estabelecem relações diferentes consoante o género dos pais e que estas relações diferentes vão além dos papeis diferentes de mãe e pai dentro da família - não há nenhuma evidência de que a adopção por casais homossexuais seja inócua, desde logo porque os ditos estudos sofrem de várias deficiências:

 

1) as amostras são geralmente muito pequenas;
2) a maioria dos estudos compara situações de mães divorciadas homossexuais (vivendo ou não com outra mulher) com mães divorciadas heterossexuais, havendo, portanto, a figura do pai na vida das crianças/adolescentes; os estudos que comparam crianças e adolescentes com 'duas mães' com crianças e adolescentes com mãe e pai são em menor número;

3) os estudos sobre crianças e adolescentes que vivem com o pai gay são escassos e, em algumas temáticas, inexistentes; relativamente a filhos de pais ou mães bissexuais não se encontram estudos; assim, nos casos de gays e bissexuais só com total ausência de seriedade e sem fundamentação se pode afirmar que é indiferente uma criança ser educada por um casal gay ou por um casal heterossexual;

4) há muito poucos estudos sobre adolescentes e jovens adultos filhos de gays ou lésbicas, e também praticamente não existem estudos que acompanhem os filhos de gays e lésbicas ao longo do tempo;

5) os estudos incidem sobretudo nos filhos biológicos de gays e lésbicas, tanto de relações prévias heterossexuais como (em menor número) por inseminações artificiais em lésbicas; estudos sobre crianças e adolescentes adoptados por casais de gays e lésbicas são raros.

 

Um bom documento que resume os estudos de lesbian & gay parenting é este da American Psychological Association (assumidamente pró-agenda LGBT) e onde são visíveis as limitações acima apontadas, sendo algumas assumidas. Apesar da profissão de fé de que os filhos saem tão bem educados por casais heterossexuais ou por casais homossexuais, há aqui vários indícios (com estes estudos é difícil ter certezas, para um lado ou para outro) que contrariam a tese. Há estudos que revelam que as mães homossexuais usam menos castigos corporais que os casais heterossexuais e que os seus filhos têm maior contacto com o pai do que nos casos de mães heterossexuais divorciadas. Há também estudos que concluem que, se a orientação sexual de filhos de homossexuais não se diferencia da de filhos de heterossexuais, os filhos de mães lésbicas são mais propensos a explorar uma relação homossexual. Que os filhos de mães lésbicas sofrem mais de stress. Que os filhos de gays e lésbicas, perante os seus pares, sentem necessidade de manter segredo sobre a homossexualidade do pai ou mãe (intensificando-se nos casos de pais gay), o que pode contribuir para sentimentos de isolamento.

 

Há também neste documento omissões curiosas. Por exemplo: é referido que a adaptação das crianças filhas de mães heterossexuais resulta da saúde mental materna, e apresentam-se estudos que concluem que se passa o mesmo com os filhos de mães lésbicas; sendo esta boa saúde mental das mães tão importante para o desenvolvimento dos filhos, a APA não se questiona como pode suprir um casal gay esta ausência de uma mãe (preferencialmente saudável).

 

E não posso deixar de referir um estudo (The Value of Children to Gay and Heterossexual Fathers) que concluiu pela existência de gays que querem ter filhos sobretudo por razões de estatuto social. Infelizmente, e pela forma do que se ouve nesta discussão provindo do lóbi gay, não se pode deixar de desconfiar que o objectivo da adopção tem mais a ver com a imposição da aceitação total da homossexualidade do que com o interesse das crianças candidatas a adopção.

 

Sendo um casamento uma forma de organização familiar que se pretende duradouro, num contexto de adopção é também conveniente averiguar se o casal candidato a adoptar é estável. Ora, segundo se conclui neste The Demographics of Same-Sex "Marriages" in Norway and Sweden, o risco de divórcio é significativamente superior nos casamentos com pessoas do mesmo sexo.

 

Concluindo: casos em que uma criança ou adolescente vai ter duas mães ou dois pais estão longe do ideal e de forma nenhuma estão testadas e estudadas. Claro que algo longe do ideal pode ser mais risonho do que uma situação que é sempre má - a de uma criança institucionalizada. No entanto, agora que se inicia a ofensiva para o acesso de casais homossexuais à adopção, convém ter bom senso e prudência e não transformar crianças vulneráveis em peões das engenharias sociais que a nossa esquerda tanto aprecia. Não é indiferente para uma criança ter oportunidade de viver com uma mãe e um pai ou ser adoptada por um casal homossexual. Se se começar por reconhecer isto - em vez de gritar 'homofobia' sempre que se ouvir reservas à adopção por casais gay e acenar com resultados científicos inexistentes - talvez a discussão seja mais séria, o resultado mais consensual e no melhor interesse das crianças (isto se também for esse o objectivo de quem reivindica 'o direito' à adopção).

Maria João Marques às 13:48 | comentar | ver comentários (78) | partilhar
Terça-feira, 13.03.12

Com gente como esta não vamos lá

Ainda a propósito do assunto do post aqui em baixo, não deixo de me espantar com a quantidade de vezes que esbarro com opiniões (e com notícias) em que os autores de opinião ou da notícia só podem ser considerados ou de profundamente burros ou de profundamente intelectualmente desonestos. É o que sucede com este texto do i. Para todos os opinadores, Cavaco ou dissolvia o parlamento na altura da tal deslealdade de Sócrates ou se calava para sempre. Bom, não nos detenhamos nesta ausência de possibilidade de Cavaco vir a posteriori dar uma opinião sobre um facto que viveu - já de si uma burrice sem tamanho - para analisarmos esta pérola da obrigatoriedade de dissolução do parlamento de cada vez que Cavaco fica amuado com razão com o primeiro-ministro. Já se sabe - pela quantidade exorbitante de governos que gostamos de coleccionar - que a estabilidade não é um valor que apreciemos e temos pago bem caro este pouco apreço. Para os nossos eminentes polítólogos, de cada vez que há desagrado do PR, dissolução da AR ou demissão do governo são os únicos caminhos. Mas o mais hilariante no texto do i e nas opiniões que contém é que toda a gente defendia a dissolução da AR ou demissão do governo pelo PR no primeiro semestre de 2011, quando estávamos já numa situação financeira deplorável e se percebia perfeitamente que a necessidade de ajuda externa era uma questão de (pouco) tempo. Ora nenhum dos comentadores contactados pelo i refere a situação conjuntural em que o PR decidiu não dissolver a AR nem demitir o governo, e a jornalista que redigiu a notícia entendeu seguir o mesmo caminho. Em suma: para comentadores e jornalista do referido texto, o PR só pode provocar uma crise política de cada vez que se desagrada com o governo e deve fazê-lo mesmo que, para isso, nos coloque, com a sua iniciativa, numa situação de falência declarada. Um PR que pese os efeitos da sua actuação e que decida em função do interesse nacional e não do seu ego é teoria absurda para esta gente.

 

Será muito pedir a esta gente que emigre? E depressa?

Maria João Marques às 13:43 | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Que o PS não pense que já tem as contas saldadas com o país só porque perdeu as eleições

O mal que a governação PS fez ao país - a de Guterres e, sobretudo, a de Sócrates - vai ser pago pelos contribuintes portugueses por muitos e bons anos. É bom, portanto, que os socialistas parem de ensaiar indignação de cada vez que os brilhantes executivos Sócrates são (muito justamente) atacados. É bom que se convençam que ainda há muitas contas a acertar com as supremas vergonha e rebaldaria que patrocinaram nos últimos dezasseis anos; terem perdido eleições não basta por vos livrar de prestar essas contas.

 

É, por isso e porque Sócrates prepara a sua absurda candidatura presidencial (a criatura não sabe fazer mais nada do que dedicar-se à propaganda e intriga política e ainda é novo para se reformar), conveniente que Cavaco Silva dê em tempo útil (i.e., agora e nos próximos anos), com precisão, a sua versão do que sucedeu nas relações institucionais com Sócrates. Este é dos maiores serviços que pode prestar ao país. É também de vital importância que o Correio da Manhã continue com o bom trabalho que tem desenvolvido, tanto na divulgação das regalias dos ministros e secretários de estado socráticos enquanto afogavam o país com aumentos de impostos como na publicação das escutas que envolvem Sócrates pelo menos nas franjas de vários processos estranhos, e que outros mostrem também que não se esquecem do desvario socrático.

 

Claro que do Ministério Público - que fez todos os possíveis para garantir que Sócrates nunca tivesse sido verdadeiramente investigado (ainda não se sabe se a 'investigação' sobre a licenciatura foi feita com base nos originais, que Rui Verde afirma deter, ou em meras fotocópias) - nada se deve esperar. Mas o julgamento de Sócrates não pode ser só judicial, tem de ser também político. E, mais uma vez, não terminou com o julgamento político das últimas eleições.

Maria João Marques às 12:35 | comentar | ver comentários (8) | partilhar
Quarta-feira, 07.03.12

'[E]m Portugal, ocorreram 80 mil abortos. [...] Este número corresponde a um estádio da luz cheio ou ao número de crianças em 500 escolas primárias.´

«Hoje, alimentados pela dúvida legítima sobre o momento exacto do início da vida, temos duas opções. A primeira opção é assumir-se pró-vida e arriscar-se, quando a dúvida for desfeita, a ser acusado de ter contribuido para a limitação da liberdade das mulheres.  A segunda opção é defender a liberdade de escolha e arriscar-se, se vier a haver consenso de que a vida de facto começa no momento da concepção, a ter sido cúmplice de uma das maiores chacinas da história da humanidade. Entre as duas opções, a que me aterroriza mais é a segunda. No primeiro caso poderemos sempre argumentar que a liberdade da mulher utilizar o seu corpo esteve sempre presente, mas apenas até ao momento da concepção. Aterroriza-me muito mais pensar que poderei estar hoje no papel do pequeno funcionário público alemão que despachava as roupas dos judeus assassinados. Aterroriza-me pensar que ao aceitar o aborto como um acto legal e, pior do que isso, banal, fui cúmplice menor no assassinato de 80 mil vidas humanas. Quando daqui a 40 anos se realizar o aborto 1,000,000, e me questionarem porque fui complacente, irei mostrar este texto. Temo que não me irá absolver por completo.»

Carlos Guimarães Pinto, honesto como poucos, n´O Insurgente.

Maria João Marques às 11:53 | comentar | ver comentários (25) | partilhar
Segunda-feira, 05.03.12

O desastre que é a política de Justiça deste governo

Paula Teixeira da Cruz é um dos expoentes do socialismo no PSD. Sendo apoiante desde o início de Passos Coelho tornou-se inevitável que chegasse ao governo. Com a nomeação para a pasta da Justiça eu, que tenho apenas uma experiência de leiga do funcionamento da InJustiça portuguesa, pensei que ia para uma pasta onde o bom senso conta mais do que a inclinação ideológica e sendo PTC, segundo contam, uma pessoa inflexível até poderia fazer boa figura como ministra. Erro crasso meu. O ministério de PTC tem abrigado legislação que nem o assumidamente de esquerda PS teve a ousadia de implementar, como foi o caso da vergonhosa lei do enriquecimento ilícito aplicada a toda a gente e não apenas a titulares de cargos públicos, que apropria para a actual maioria o ódio visceral e a propensão persecutória do PCP a quem consegue acumular riqueza e quem é bem sucedido. Vem agora a ministra da Justiça propôr esta enormindade que o Pedro já aqui referiu. E o mais grave nem é a discriminação entre empresas comerciais com rendimentos para apresentar queixas e as que não têm. O mais grave é mesmo a mensagem que se transmite, que é praticamente a legalização do pequeno roubo nas lojas: o estado está-se marimbando para o pequeno crime se para o combater tiver de usar recursos seus.

 

E isto provém precisamente da inclinação ideológica da ministra. Como se sabe e se verifica, um estado tentacular e socialista, no seu afã de chegar a todo o lado e participar em tudo, deixa de fazer aquilo que a tem obrigação primordial: as suas funções nucleares, que contêm a Justiça. O que PTC diz é isto: virem-se sozinhos, pequenos empresários, que o estado tem mais do que fazer do que proteger-vos. E o alvo dos pequenos empresários - aquele grupo que geralmente não anda pendurado nos orçamentos do estado e que não tem dimensão para precisar de dar graxa aos políticos - também não é irrelevante, já que a esquerda (que inclui PTC) os vê com um absoluto desprezo e como merecedores de pagar bem o atrevimento de um dia terem arriscado e posto uma empresa em funcionamento. No caso, têm de pagar os roubos que lhes fazem que o estado está entretido com outros brinquedos. Sucede que os pequenos empresários, e bem, consideram que as suas empresas não são instituições de caridade e que não têm de suportar os custos acrescidos que o estado lhes impõe. Por enquanto estamos numa crise económica e as lojas, grandes ou pequenas, sobrevivem à conta das promoções que fazem, mas quando a conjuntura melhorar um bocadinho, caros consumidores, pensem que quando estão a comprar algo estão a pagar mais porque as empresas estão a diluir em quem compra os custos dos roubos que, com a ausência de risco, se tornarão crescentes. E agradeçam a Paula Teixeira da Cruz e a este governo.

 

Isto, claro, se o Presidente da República não puser onde convém os devaneios proto-comunistas da actual ministra da Justiça.

Maria João Marques às 12:11 | comentar | ver comentários (15) | partilhar
Quinta-feira, 01.03.12

Alguém anda a fumar coisas assaz estranhas

Há uns anos houve um valente reboliço - sobretudo das gentes à esquerda - com a proposta de Santana Lopes de instalar um casino no Parque Mayer. Parece que levantava gravísssisssimas questões de segurança (apesar da aparente acalmia que sempre rodeou o casino do Estoril). Agora temos um presidente da autarquia lisboeta - onde eu resido - que estuda fornecer um edifício camarário para instalação de um bordel livre, com sexo seguro e acompanhamento psicológico às senhoras que lá trabalharão. Bom, vamos deixar de lado o facto de a CML não estar a fornecer um edifício para acolher prostitutas que querem ter outra ocupação mais saudável e não vamos questionar para que precisarão as prostitutas de ajuda à saúde psíquica se afinal a prostituição é uma profissão como outra qualquer (porque a CML não ajudaria pessoas a manterem-se numa profissão que lhes é altamente lesiva, pois não?). Questionemo-nos apenas: em Lisboa, as pessoas que vão jogar uns trocos nas slotmachines são vistas como mais perigosas do que as pessoas que vão a um bordel pagar por sexo? É que da última vez que reparei, a Mouraria era no centro de Lisboa. Ou, para os senhores que tanto se preocuparam com a Avenida da Liberdade e as montras da Louis Vuitton, para os chineses e paquistaneses que agora se instalaram na Mouraria qualquer coisa serve, até um bordel?

Maria João Marques às 13:13 | comentar | ver comentários (10) | partilhar
Sexta-feira, 10.02.12

Quando, mas quando, é que este governo supostamente de centro-direita termina com a gratuidade do aborto no SNS?

«"É vergonhoso que o Ministério da Saúde ou se tenha esquecido ou não tenha tido a coragem de impor uma taxa moderadora no aborto recorrente. Não há qualquer explicação. É absolutamente indesculpável", sublinhou.

O médico questiona: "Uma mulher paga para ir a uma consulta de esterilidade e não paga para ir a uma consulta de aborto recorrente?".

Segundo um estudo da Federação Portuguesa Pela Vida (FPV)feito com base nos dados oficiais disponíveis, desde 2007 realizaram-se em Portugal mais de 80 mil abortos "por opção da mulher", dos quais perto de 13.500 foram repetições.»

 

E esta opinião vinda de quem acha 'uma vergonha' que 33% dos abortos sejam feitos em clínicas privadas em vez de pagas pelos contriuintes. (É que, sabem?, uma mulher pode escolher terminar ou não com uma vida que tem dentro da barriga, mas já poder escolher entre um hospital público e uma clínica privada é liberdade em demasia. Digam lá se isto não é o apogeu do socialismo?).

 

E se o CDS parece ter alguma sanidade nesta questão, já este PSD - tão moderno! - indicia pretender seguir o caminho do PS: não se realizam os estudos prometidos aquando do referendo, que assim nunca se vai poder discutir o aborto precisamente por falta de estudos.

 

Maria João Marques às 12:51 | comentar | ver comentários (26) | partilhar
Quinta-feira, 09.02.12

O estado da nossa comunicação social

Num programa da TVI24, Fernando Rosas insulta Pedro Santana Lopes comparando-o a Salazar. Mas a notícia é a reacção inteiramente justificada de Pedro Santana Lopes. Entende-se: para a maioria da comunicação social, qualquer pessoa que não se proclame de esquerda tem a obrigação de carregar as culpas dos pecados de um ditador que morreu há quarenta anos. Até porque é a memória desse ditador a única legitimação da actual esquerda (o mesmo é dizer que não têm qualquer legitimação) para impor ao país o socialismo que, como se vê, nos arruinou.

 

Mas nada disto é novo. No debate televisivo entre Carrilho e Carmona Rodrigues também se equiparou a reacção de Carmona Rodrigues à recusa de Carrilho de o cumprimentar no final do debate. E perante as faltas de educação reiteradas de Mário Soares para com Cavaco Silva na campanha para as presidenciais, feitas sem dúvida com a convicção que o país inteiro o acompanhava e à maioria da comunicação social (lembro-me de um debate televisivo em que até Judite de Sousa tratava Cavaco Silva por 'ele' e se ria como uma colegial das faltas de educação de Mário Soares) na opinião de que Cavaco Silva era uma criatura a quem apenas se podia desprezar. Isto para nem irmos para o manancial infindável das grosserias de José Sócrates durante os seus seis anos de má memória à frente do país, tendo estas grosserias sido quase, quase, quase até ao fim apresentadas como mostra das capacidades argumentativas do nosso querido líder.

 

Gente de direita, convençam-se: são umas espécie de intocáveis das castas políticas portuguesas; têm a obrigação de aceitar com resignação os insultos que a gente, superior, da esquerda vos dirige - recordem-se que estão a expiar pecados de vidas passadas.

Maria João Marques às 14:59 | comentar | ver comentários (11) | partilhar
Segunda-feira, 30.01.12

Sabem quando escrevemos sobre outros para afinal descobrirmos que escrevemos sobre nós próprios? Pois aqui fica um retrato de Miguel Sousa Tavares.

«No último mês de Dezembro, Miguel Sousa Tavares publicou um artigo laudatório do antigo Primeiro-Ministro José Sócrates, com o título O Fantasma de Paris,  que tem sido replicado em vários blogues socratistas. Raras vezes vi um artigo com tantos erros factuais. Só na primeira metade do artigo, temos isto:

.

 (...) José Sócrates começou a governar em 2004, recebendo um país com défice de 6,2% (...)
.
Começou a governar em Março de 2005 e recebeu um défice de 3,4%.
.
(...) após dois governos PSD/CDS, numa altura em que não havia crise alguma nem problema algum na economia e nos mercados. (...)
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Portugal esteve em recessão em 2003, e o crescimento do PIB vinha em queda desde 1998.
.
 (...) Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix, foram pioneiros na descoberta de truques de engenharia orçamental para encobrir a verdadeira dimensão das coisas: despesas para o ano seguinte e receitas antecipadas (...)
.
A antecipação de receitas foi prática corrente dos governos de Guterres – a começar pelo Pagamento Especial por Conta. A principal alínea de desorçamentação – as SCUTS – despesas atiradas para o futuro, foi também uma invenção dos governos de Guterres.»

 

O resto estáneste post de JCD.

Maria João Marques às 14:00 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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